domingo, 2 de setembro de 2007

Pimba II - A vingança


Como não tenho o hábito de escrever acho q fiquei mais vulnerável dps de ter lido e pensado acerca do que escrevi. Espero que não se torne vício :)
É certo que o Pimba existe noutros países, o q à partida poderá colocar a seguinte questão: qual o real valor da minha análise tão centrada no nosso Portugalito?


A meu ver mantém-se pertinente uma vez que os problemas que enunciei são a meu ver bem reais e palpáveis pela maioria da população portuguesa. O que me parece é que de um modo geral acho que a Música pimba, seja lá ela de onde for, é sp o espelho de fragilidades sociais. Concerteza nós teremos Música pimba por determinados problemas, que serão de certeza diferentes dos problemas de outros sítios. Mas na minha opinião esse estilo acaba sp por vencer por haver lacunas a nível humano por parte da população que faz e q ouve esse estilo. Não estou a dizer que essas pessoas escolheram em plena consciência com real conhecimento de facto gostar do estilo Pimba. Estou a dizer q se tivessem tido essa oportunidade e se de facto tivessem esse conhecimento teriam concerteza escolhido algo melhor.


Onde há fumo há fogo. Convenhamos que toda a carga perjurativa associada ao modo de vida pimba não existe pq 2 idiotas quaisquer se lembraram de dizer mal desse estilo. Não! Essa carga negativa vem do facto de na realidade esse tipo de música ser artisticamente pobre e pouco potenciador das capacidades humanas. Esse facto é tão evidente que ofusca. De tal modo que é muito difícil explicar pq é q pimba é mau e pobre. Mas o que é facto é que o é!E agora podem-me dizer que há nao sei qts pessoas q conhecem que ouvem e até gostam de pimba. Mas se forem de facto sinceros convosco próprios, dir-me-ão que no fundo gostariam que essas mesmas pessoas que vocês gostam tivessem a sensibilidade desenvolvida para perceber que aquele estilo musical é realmente muito fraco!

Pimba!

Aqui fica a minha ideia ainda inacabada acerca deste estilo musical e de tudo aquilo q o rodeia!


Pimba é a face viva da fragilidade socio-cultural do nosso povo. Isolados qual numa alegoria da caverna, ao vermos mais do q as sombras, olhamos para nós e reparamos que a sensação que fica dps de ouvirmos uma destas músicas é a de que não estamos concerteza perante algo que nos vá enriquecer ao máximo das nossas capacidades.Entretem-nos. Entretem-nos ao mesmo nível que uma Máscara ou um Harry Potter ou um Fernando Rocha: não ficamos a saber mais acerca do q nos rodeia e acerca de nos proprios. No entanto fica aquela sensação de que nos divertimos. A diferença em termos de entretenimento, entre um harry potter e uma música pimba é que a parafernália de efeitos de última geração, junto com a panóplia de meios de divulgação que vão desde anúncios repetidos até à exaustão do filme até mochilas e talheres, tudo isto leva-nos a pensar q o Harry Potter tem mais qualquer coisa do que uma música pimba. Na sua essência o Harry Potter continua a ser uma história do bem contra o mal. Em termos idílicos, sob o ponto de vista de uma criança q dps se torna adolescente. Mas efectivamente em termos de enriquecimento enqt pessoa, enqt ser humano curioso, enqt transeunte deste planeta em vias de extinção, enqt procurador da nossa própria felicidade (quer admitamos que a procuramos ou não), em termos de evolução positiva, pouco ou nada estes meios de entretenimento providenciam.

Poder-se-á colocar a questão, então e não será também o entretenimento algo necessário, dado que tem tt aceitação por parte de tanta gente? Sim, necessário. Mas é tanto necessário ter entretenimento como é necessário ter outro tipo de oferendas culturais que nos permitam dar um passo em frente, e não ficar no mesmo lugar.
O termo pimba está carregado de sentido perjurativo. Vou optar por descrever pelo que não é: inteligente, perspicaz, artisticamente arrojado, força potenciadora de enriquecimento humano no que de mais bonito o ser humano pode ser.


É aqui que reside o busílis da questão. É que de facto a música pimba enriquece-nos no sentido em q deixa algo dentro de nós. A questão é se queremos esse móvel na nossa sala. Ficará lá bem? Qd decoramos o nosso espaço estamos a tentar rodear-nos do que para nós faz mais sentido. Em cada objecto depositamos algo que podemos ou não entender a razão e o porquê de o termos escolhido e colocado naquele sítio. No entanto, sabemos sempre se queremos ou não determinado objecto no nosso espaço. Isso, no meu entender, prende-se com o facto de que realmente as coisas físicas e não físicas estão todas interligadas entre si. Qd escolhemos determinada peça de roupa para nos vestirmos estamos a fazer uma escolha acerca da imagem q temos e q queremos passar de nós próprios. Essa escolha ocorre fruto dos nossos valores e normas. Valores e normas que nascem a partir do que nos rodeia em termos sociais: a socialização. Não nos esqueçamos que o que nós somos é fruto do entendimento que temos das coisas. Este estilo de música está ligado ao estigma do saloio que nada sabe acerca da modernidade. Aqui podemos facilmente entrar no classico rivalismo campo-cidade. Mas estou certo que é na cidade que o ser-se humano tem mais hipóteses para se desenvolver. Estou certo disso pois só aqui podemos ter a liberdade necessária para nos expressarmos sem termos que marcar presença à represália ou à aceitação do grupo reduzido. É na cidade que podemos encontrar o nosso grupo social no qual poderemos encontrar espaço para a nossa individualidade.
Ora num grupo social reduzido qualquer mudança por pequena que seja é prontamente comentada por todos, o q a prazo inibe e castra as tentativas de mudança. Mas mudança é uma das coisas que acontece com a evolução positiva das coisas. A mudança ocorre qd há condições favoráveis para tal. Condições materiais e sociais. Aqui caio numa evidência portuguesa: praticamente metade do século passado foi passado fora de um sistema social democrático, onde a liberdade de expressão não era algo propriamente bem-vindo. Fechados sobre nós próprios tinhamos acesso ao mundo através das sombras que a modernidade fazia nascer lá fora, quer em termos tecnológicos, artísticos e sociais. Todas as conquistas que foram feitas a estes níveis lá fora ainda não foram devidamente assimilidas pelo nosso povo que vive num 2º mundo (não num 3º mundo mas tb não na linha da frente). A juntar a isto estamos economica e geograficamente longe da Europa onde tudo acontece.
Resta-nos viver das conquistas de outros. Por isso artísticamente contribuimos pouco para o Mundo, uma vez que economicamente também.


O Pimba é pois o estilo que representa esta realidade. Representa aquela pessoa que gosta da sua terra mas que tem poucas ferramentas quer sociais ( englobando aqui os aspectos tecnologicos, humanistas e artísticos) para a perceber, para a entender e para a melhorar.
Concluindo e repescando o harry potter. Sim, este aprendiz de feiticeiro pode não ter algo de verdadeiramente interessante a dizer à Humanidade em termos concretos. No entanto quem produziu esta história teve ao seu dispôr toda uma multiplicidade de artefactos e fontes de inspiração provenientes de uma cultura actualmente dominante a nível global.
O Pimba é então a reprodução dos valores sociais de um povo perdido na condição económica e achado na vontade de ser feliz!